
Todas as seleções na Copa do Mundo contam com um time de segurança para garantir a integridade dos artistas do espetáculo e evitar um assédio excessivo de torcedores. É normal. O que não é normal é a rigidez da proteção à delegação do Irã.
Eles estão hospedados em Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos, e o exército mexicano alocou dezenas de soldados nas cercanias do hotel na região central da cidade. Na rua que dá acesso ao prédio, um caminhão de tropa já intimida os visitantes com cerca de uma dúzia de homens fardados, mascarados e com metralhadoras em punho.
A entrada em si está fechada com grades guardadas por soldados. Os hóspedes precisam se identificar e abrir o carro para uma revista nos bancos traseiros e porta-malas antes de terem a entrada liberada. Do lado de dentro, um carro da polícia local reforça o clima de vigilância.
O mesmo nível de controle se repete no campo de treino, localizado nas instalações do Centro Xoloitzcuintle, ao lado do hotel. Caminhões com soldados de capacete e máscara, armados com metralhadoras, patrulham os arredores a cada poucas horas. O acesso ao complexo é rigidamente controlado: credenciais são verificadas, reconfirmadas e verificadas novamente. Horários de treino são divulgados em cima da hora, enquanto a programação das outras seleções é pública com dias de antecedência.
A situação é um desdobramento direto da escalada geopolítica dos últimos meses. A seleção iraniana deveria se instalar em Tucson, no Arizona, no moderno complexo esportivo Kino Sports, com múltiplos campos. Os planos foram descartados às pressas após os ataques dos Estados Unidos ao território iraniano, que resultaram na morte do chefe de Estado do país e de outros líderes de alto escalão. A equipe do Club Tijuana, dona do complexo, só foi informada da mudança duas semanas atrás, numa ligação com a Fifa, e desde então trabalha 18 horas por dia para adaptar suas instalações, que contam com apenas um campo de grama natural.
O novo hotel fica a cerca de 200 quilômetros do estádio de Los Angeles, onde a equipe estreia contra a Nova Zelândia na segunda-feira (15).
A delegação não tem do que reclamar, porém, da recepção mexicana. Foi colocada uma grande faixa ao redor do campo de treino dando as boas-vindas aos “leopardos iranianos” em farsi.
Fonte: veja.abril.com.br


